Nova geração do sabre brasileiro celebra conquistas na Copa do Mundo em Bogotá e mira futuro

A Copa do Mundo Juvenil e Cadete de Sabre de Bogotá terminou com um resultado que reforça o crescimento de uma nova geração da esgrima brasileira. Com oito medalhas conquistadas, sendo quatro de ouro, uma de prata e três de bronze, o Brasil encerrou a competição na liderança do quadro de medalhas e mostrou a força de um grupo que vem ganhando espaço no cenário internacional.

Com o título no juvenil, Marcus Pinto assume a liderança do ranking cadete da Federação Internacional de Esgrima (FIE). Bronze no juvenil, ele sobe também para quinto, enquanto Vince Liu, campeão no juvenil, passa para a sexta posição. No feminino, Ana Beatriz Fraga, bronze no juvenil e representante da esgrima brasileira nos Jogos Olímpicos da Juventude, agora ocupa a terceira posição, e Camila Vieira, quinta colocada no individual entrou no top 10.

Além deles, os resultados também foram obtidos por Stella Santos, prata no juvenil feminino,  Arthur Wolff, medalhista de bronze no juvenil masculino; além de Ana Luiza Motta e Henry Dias Douglas, jovens atletas que contribuíram para o título por equipes. Juntos, eles construíram uma das campanhas mais marcantes do sabre brasileiro nos últimos anos.

Mais do que os pódios individuais, a competição mostrou a força coletiva de um grupo que vem crescendo junto. A união dentro da pista, a confiança entre os atletas e a evolução técnica foram pontos destacados pelos próprios esgrimistas após a disputa em Bogotá.

Marcus Pinto fecha fim de semana com três medalhas

Todo fim do dia de competição, Marcus Pinto cumpria um ritual: subia ao pódio. Aos 16 anos, o sabrista conquistou o ouro no cadete masculino na sexta-feira, foi medalhista de bronze no juvenil no sábado e encerrou o domingo com o título por equipes.

“Foi um campeonato muito positivo para mim e então fiquei muito feliz com o resultado. Senti que cada dia eu joguei melhor. Com certeza fiquei muito feliz de ter ganho o cadete, mas tentei entrar na competição juvenil com a cabeça limpa, sem ficar pensando muito no resultado do dia anterior. Acho que isso me ajudou a focar em uma prova de cada vez”, explicou o novo líder do ranking mundial cadete.

O brasileiro agora mira uma sequência importante de competições, incluindo o Campeonato Brasileiro Cadete e Juvenil, em Curitiba, e novas etapas da Copa do Mundo. “Agora vou continuar treinando e tentar chegar bem preparado para essas próximas competições”, afirmou.

Vince Liu transforma desafio em ouro juvenil

Campeão juvenil em Bogotá, Vince Liu viveu uma competição de superação. O brasileiro precisou enfrentar adversários de alto nível e ainda lidar com uma condição física adversa durante o torneio, mas conseguiu manter a concentração para avançar até o título.

“A competição foi uma experiência incrível e muito especial para mim. Desde o começo do dia, meu objetivo era entrar na pista, dar tudo de mim e lutar por cada toque. Foram vários confrontos difíceis contra atletas muito fortes, então precisei manter a calma, confiar na minha esgrima e lutar até o final em cada partida”, contou.

Durante a competição, Vince teve uma desidratação, mas buscou não deixar o problema interferir no desempenho. “Eu não estava me sentindo bem fisicamente, o que tornou o dia ainda mais desafiador. Mesmo assim, tentei não deixar isso afetar minha cabeça. Mantive a concentração, fui pensando em um combate de cada vez e continuei avançando. No final, sair com o ouro depois de tudo que aconteceu durante o dia tornou essa competição ainda mais especial para mim”, afirmou.

O título também representa uma recompensa pelo trabalho realizado ao longo da temporada.

“Poder representar o Brasil no mais alto nível da esgrima internacional já é uma honra enorme, e conquistar um resultado como esse vestindo as cores do meu país é uma sensação difícil de explicar. Também significa muito saber que todo o trabalho, os treinos, as viagens e os sacrifícios estão trazendo resultados”, destacou.

Após a conquista, Vince já pensa nos próximos passos da carreira. “Ao mesmo tempo, vejo isso como mais uma etapa do caminho. Quero aproveitar esse momento e comemorar essa conquista, mas sei que ainda tenho muito para aprender, melhorar e conquistar. Esse resultado me dá ainda mais motivação para continuar trabalhando e treinando forte, identificar os pontos que ainda posso melhorar e buscando evoluir a cada competição”, disse.

Stella Santos e Ana Beatriz Fraga destacam preparação e força do grupo

Stella Santos também viveu uma competição especial. A brasileira conquistou a medalha de prata no individual juvenil e depois ajudou o Brasil a ficar com o ouro por equipes. Para ela, a disputa coletiva tem um significado diferente pela parceria entre as atletas, em que as companheiras se apoiam.

“A competição por equipes foi muito boa. É sempre uma experiência muito legal jogar com as meninas, a gente se dá muito bem. Eu particularmente gosto mais de jogar equipe do que individual. Na equipe você não está sozinha. Sempre vai ter alguém torcendo com você e por você”, destacou.

No individual, a brasileira também celebrou a maneira como conseguiu superar momentos difíceis durante a competição. Ela precisou virar os confrontos de oitavas, quartas e semifinal. “Esses jogos foram super bons porque consegui me adaptar ao jogo delas, pensar no que fazer e colocar em prática as coisas que eu treinava. Nas oitavas eu entrei bem nervosa, mas depois do intervalo consegui me tranquilizar muito. Nas quartas terminou 15-14 e na semi eu estava 12-8 atrás e venci. Foi uma experiência muito boa e fiquei muito feliz com a medalha. Foi um reflexo dos meus treinos né, porque estou treinando para conseguir alcançar os resultados”, contou.

A campanha brasileira também teve como protagonistas atletas que já carregam grandes expectativas para os próximos desafios internacionais. Ana Beatriz Fraga, medalhista de bronze no juvenil e representante do Brasil nos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026, destacou a importância da preparação antes da competição.

“Eu consegui jogar leve e sem muita pressão, confiando no trabalho. Fiquei duas semanas treinando em Madri como estágio de treinamento, tanto para essa Copa quanto para os Jogos Olímpicos da Juventude. Acho que foi fruto de todo esse trabalho”, explicou.

Para Ana Beatriz, a experiência em Bogotá foi mais uma etapa importante no desenvolvimento.

“Consegui fazer uma campanha muito boa. Até a semifinal, eu tive jogos tranquilos, coloquei meu jogo em todos os combates e mostrar o que eu sei fazer.  Foi uma experiência muito gratificante e que vai me ajudar para os próximos desafios. Na semifinal, fiz um bom jogo, tive boas ações, só que o cansaço me pegou. Obviamente queria ter ganho, mas foi muito gratificante a experiência”, completou.

Arthur Wolff e Henry Dias Douglas valorizam evolução da esgrima brasileira

Além dos resultados individuais, os títulos por equipes foram um dos principais símbolos da campanha em Bogotá, mesmo com os efeitos da altitude na capital colombiana. Para Arthur Wolff, medalhista de bronze no juvenil e campeão por equipes, o desempenho mostra uma evolução da modalidade no Brasil.

“A Copa do Mundo de Bogotá foi muito importante para mim. Foi muito bom conseguir essa medalha internacional pelo Brasil. Eu me senti bem, estava em um ritmo de jogo bom e acho que principalmente isso e a cabeça fizeram com que eu conseguisse chegar ao pódio”, afirmou.

O atleta ressaltou que os resultados coletivos mostram que o país está formando uma geração competitiva.

“Mostra que a gente está tendo resultado, que existe uma evolução e que existe um futuro bem próximo de ótimos atletas e ótimos resultados. Isso é muito importante para o desenvolvimento não só do sabre, mas da esgrima brasileira”, disse.

Com 15 anos, Henry Dias Douglas, que também fez parte da equipe campeã, destacou a importância da experiência em Bogotá e do ambiente criado pelo grupo. “Acredito que a Copa do Mundo de Bogotá foi um campeonato muito importante para mim, especialmente porque foi a minha primeira Copa do Mundo Cadete e Juvenil. Foi muito legal. Nossa equipe se divertiu bastante em pista, meus colegas sempre me apoiando”, afirmou.

O jovem atleta também valorizou o título por equipes como uma demonstração da capacidade do Brasil diante de adversários fortes. “Infelizmente, o Vince não pôde jogar com a gente, mas mesmo assim, a gente foi lá, jogamos  e ganhamos por ele e também pelo Brasil”, acrescentou Arthur. “Foi muito importante porque mostra a capacidade que a nossa equipe tem de enfrentar equipes fortes e conseguir uma vitória”, completou.

Com uma campanha histórica em Bogotá, a nova geração do sabre brasileiro encerra a competição com resultados expressivos e a expectativa de continuar crescendo nos próximos desafios do calendário internacional.

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