O Brasil encerrou o Regional das Américas de Paraesgrima com três medalhas de ouro neste domingo (1º), no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo. A seleção conquistou os títulos do sabre masculino e feminino e do florete feminino por equipes, além de um bronze no florete masculino. Com os quatro pódios no último dia, o país terminou a competição na liderança do quadro de medalhas, com 25 conquistas: dez ouros, oito pratas e sete bronzes.
O desempenho brasileiro também teve como destaque o aproveitamento de 100% nas provas femininas por equipes. Depois de conquistar o ouro na espada, na quinta-feira (29), a seleção venceu as disputas do sabre e do florete neste domingo. Nas duas finais, as brasileiras superaram a Colômbia pelo mesmo placar: 30 a 26.
Sabre feminino: vitória sobre a Colômbia em final equilibrada
A equipe formada por Rayssa Veras, Mônica Santos, Fabiana Soares e Rudineia Mânica, na condição de reserva, conquistou o primeiro ouro brasileiro do dia ao derrotar a Colômbia por 30 a 26 na decisão do sabre feminino.
O confronto teve mudanças de liderança e permaneceu equilibrado até os últimos combates. Rayssa Veras abriu a participação brasileira com uma vitória por 9 a 1 sobre Ivonne Padilla, mas a Colômbia reagiu e chegou a assumir a vantagem.
As duas seleções alternaram a liderança outras três vezes até o Brasil chegar ao último confronto vencendo por 25 a 24. Coube novamente a Rayssa, diante de Erika Torres Torres, assegurar os pontos decisivos para a conquista do título.
Depois da vitória, Rayssa destacou o esforço das companheiras para superar o desgaste acumulado ao longo dos seis dias de competição.
“A gente tinha trabalho pra fazer e conseguimos realizar. Entregamos tudo que tínhamos nesse último dia. Todo mundo muito cansado, com dores, mas tinha trabalho a ser feito tanto de manhã quanto à tarde, e nos consagramos campeãs. Todo mundo conseguiu contribuir com aquilo que tinha para dar. Estou muito feliz porque conseguimos ouvir o hino do Brasil duas vezes. As meninas arrasaram, em momento algum decepcionaram. Fico muito feliz de estar aqui podendo representar meu país e trazer orgulho pra todo mundo”, comemorou Rayssa.
Florete feminino confirma terceiro ouro das equipes brasileiras
As brasileiras voltaram a enfrentar a Colômbia na decisão do florete feminino. Com a mesma formação utilizada no sabre, a seleção conquistou outra vitória por 30 a 26 e confirmou o terceiro título do país nas três armas femininas por equipes.
Rayssa Veras teve participação importante para manter o Brasil na disputa nos confrontos contra Ivonne Padilla e Erika Torres Torres. No último combate, Fabiana Soares enfrentou Padilla e garantiu a vitória brasileira.
O resultado completou uma campanha de três ouros nas disputas femininas por equipes, depois do título da espada conquistado contra os Estados Unidos por 25 a 24, na quinta-feira.
Integrante das três equipes campeãs, Mônica Santos destacou a união do grupo e o apoio entre as atletas ao longo do campeonato.
“Eu quero dizer que as meninas são top! Estamos com 100% de aproveitamento nas equipes e cada uma deu o seu melhor aqui. Uma sempre puxando a mão da outra, mesmo quando alguém está com dor de barriga, a outra vai lá torcendo, dando uns cutucões. Então, assim, nós somos top!”, afirmou Mônica, que aproveitou o momento da comemoração para desejar feliz aniversário à filha.
Sabre masculino: Brasil supera Estados Unidos e conquista o ouro
O terceiro título brasileiro do domingo veio no sabre masculino por equipes. Lucas Julião, Kevin Damasceno, Luís Vanderson Chaves e Renato Santana garantiram o lugar mais alto do pódio após a vitória sobre os Estados Unidos na final.
A conquista teve um componente de superação física. Os brasileiros chegaram ao último dia desgastados pela sequência de disputas individuais e por equipes, e Renato Santana precisou interromper sua participação durante a decisão por causa de um problema no braço esquerdo. Vanderson Chaves assumiu seu lugar e ajudou a seleção a garantir o título.
Lucas Julião contou que a responsabilidade de fechar os confrontos provocou nervosismo, mas destacou que conseguiu atuar com mais tranquilidade diante dos norte-americanos.
“Nós estamos todos fisicamente muito cansados. Nosso braço tá tudo lascado. Fiquei um pouco nervoso por fechar a equipe, mas conseguimos. Entrei mais solto, sem pressão, de cabeça erguida, e deu muitos frutos. Foi muito legal, a gente teve um entrosamento muito bacana. Estou muito feliz porque não esperava esse resultado. É uma expectativa muito grande colocada na gente, mas a gente atendeu”, afirmou Julião.
Renato Santana, que já havia conquistado o ouro individual no sabre da categoria B e a prata por equipes mistas, explicou as dificuldades enfrentadas nos últimos dias e valorizou a atuação dos companheiros.
“Ontem, na prova de florete, eu acabei desistindo, não fui até o final, porque estou com problema no meu braço esquerdo. Tá faltando força, tá incomodando. Hoje eu vim já pensando: será que vou conseguir desempenhar bem? Aí fiz um combate, vi que não daria para dar continuidade. O Van assumiu, assumiu com mérito, conseguiu fechar bem os combates que teve. Queria agradecer a essa equipe toda. Se não fosse por eles, não teríamos chegado e pegado a douradinha que viemos buscar”, declarou Renato.
Florete masculino conquista bronze no encerramento
O Brasil também subiu ao pódio no florete masculino por equipes. A formação composta por Jovane Guissone, Kevin Damasceno, Lenilson de Oliveira e Luís Vanderson Chaves conquistou a medalha de bronze ao superar a Venezuela.
Os Estados Unidos ficaram com o ouro após uma vitória de virada sobre a Colômbia na final. O destaque norte-americano foi Abe Kaplan, de 17 anos, que havia conquistado o título individual do florete A no sábado (31).
Brasil termina competição na liderança do quadro de medalhas
O Regional das Américas de Paraesgrima chegou ao fim neste domingo, depois de seis dias de disputas no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo.
O Brasil terminou na primeira colocação do quadro de medalhas, com 25 pódios, sendo dez ouros, oito pratas e sete bronzes. A Colômbia ficou em segundo lugar, com seis ouros, seis pratas e sete bronzes, enquanto os Estados Unidos completaram as três primeiras posições, com três ouros, quatro pratas e 13 bronzes.
A competição reuniu 81 atletas de oito países, incluindo 22 representantes brasileiros. Além dos títulos continentais, os resultados valeram pontos para o ranking mundial, que integra o processo classificatório para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles-2028.
