Ana Beatriz Fraga e Marcus Pinto são esperanças de bons resultados para o Brasil no Mundial Cadete e Juvenil (Fotos: Ana Patricia e Grazie Batista/COB)
A esgrima brasileira chega ao Campeonato Mundial Cadete e Juvenil do Rio de Janeiro, marcado para abril, em um novo patamar de expectativa. Os resultados históricos conquistados na etapa de Bogotá da Copa do Mundo de Sabre Cadete e Juvenil impulsionaram jovens atletas brasileiros ao topo do ranking mundial e reforçaram o protagonismo do país no cenário internacional da base.
Após a competição disputada na Colômbia, Ana Beatriz Fraga, de 16 anos, e Marcus Pinto, de 15, alcançaram a terceira colocação no ranking mundial cadete, resultado que consolida o excelente momento da esgrima brasileira nas categorias de formação.
O desempenho em Bogotá foi marcado por conquistas inéditas. Ana Beatriz Fraga conquistou a medalha de ouro no sabre cadete de forma invicta, tornando-se a primeira brasileira a vencer uma etapa da Copa do Mundo Cadete organizada pela Federação Internacional de Esgrima (FIE). No dia seguinte, já competindo na categoria juvenil (sub-20), a atleta voltou ao pódio com a medalha de prata, sendo superada na final pela porto-riquenha Gabriela Maria Hwang.
No masculino, Marcus Pinto conquistou a medalha de bronze na categoria juvenil, após uma campanha sólida desde a fase de poules. O atleta superou adversários da China e da Nigéria antes de ser eliminado na semifinal pelo chinês Jintao Yao, por 15 a 13. Na categoria cadete, Marcus encerrou sua participação na quinta colocação. Além dos resultados individuais, Marcus e Ana Beatriz integraram as equipes brasileiras campeãs por equipes na etapa colombiana.
Influências dentro de casa
A trajetória dos dois atletas é acompanhada por um forte histórico familiar no alto rendimento. Marcus Pinto nasceu em Nova York, em 2010, seis anos após a migração de seus pais para os Estados Unidos. Ele é filho de Bibiane Pinto, ex-integrante da seleção brasileira de ginástica rítmica que conquistou a medalha de prata histórica nos Jogos Pan-Americanos de Havana, em 1991.
Ao falar sobre o ambiente esportivo em que cresceu, Marcus destacou o papel da família em sua formação. “Na minha casa o esporte é muito importante. Meus pais tentaram tudo. Eu comecei no beisebol, basquete, futebol, natação, tênis… mas eu vi um desenho de uns caras fazendo esgrima e falei: ‘Mamãe, eu quero fazer isso’”, contou o atleta. Sobre a influência da mãe, ele completou: “Ela sabe como nos guiar neste mundo [do esporte de alto rendimento]. Os outros pais não sabem como é difícil, mas ela sabe”.
Ana Beatriz Fraga também carrega herança da ginástica. Seu pai, Rafael Fraga, foi atleta de ginástica artística com conquistas em nível nacional. A esgrimista destacou que o esporte sempre foi incentivado dentro de casa. “Meus pais sabiam a importância que era o esporte para a disciplina e para o respeito. Eles deixaram como obrigatório fazer um esporte, independente de ser competitivo ou não”, revelou.
Ana Beatriz iniciou na esgrima em 2017 e quase desistiu da modalidade durante a pandemia. O retorno às pistas marcou um ponto de virada em sua trajetória, culminando nos resultados expressivos conquistados no circuito internacional.
Personalidades na pista
Dentro da pista, Marcus também descreve seu estilo de jogo como mais estratégico e paciente. “Eu gosto de começar lento para ver o que o meu oponente está fazendo. Eu espero mais que a maioria das pessoas e mudo o ritmo para deixar o oponente adivinhando”, explicou.
Já Ana Beatriz diz ter uma postura emocional e uma agressividade controlada. “Eu sou uma pessoa muito emocional. No jogo de esgrima, estou tentando dar meu máximo sempre e sempre muito fervorosa. Eu ataco, defendo, tento fazer de tudo”, definiu a sabrista.
Metas para o Mundial
Com os resultados recentes, o foco dos atletas agora se volta para o Campeonato Mundial Cadete e Juvenil, que será disputado em solo brasileiro. Marcus é direto ao falar sobre seus objetivos para a competição. “Indo como terceiro do mundo, estou tentando ir lá para ganhar, para medalhar”, afirmou.
Para Ana Beatriz, competir em casa também representa uma oportunidade de fortalecer a modalidade no país. “Espero que eu consiga ir muito bem, independente de medalhar ou não. Medalhar é um objetivo que quero muito, mas um quadro de quartas de final seria muito bom para destacar a esgrima brasileira”, projetou.
