Em busca de nova medalha paralímpica, atleta divide preparação em duas cidades e ainda encontra tempo para empreender em uma barbearia

 

Rio de Janeiro (RJ), 22 de outubro de 2020.

Por: Fato&Ação Comunicação

Que a vida de atleta não é monótona, todo mundo sabe. Mas a rotina de Jovane Guissone, um dos grandes nomes da esgrima em cadeira de rodas, parece ser ainda mais movimentada. Com a pandemia, ele tem dividido seu tempo entre treinos em casa, na cidade de Esteio, Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), e fisioterapia na capital gaúcha. De vez em quando foge para o sítio, em Portão (cidade que fica a cerca de meia de carro de sua residência). E ainda virou empreendedor, ajudando a esposa Kelly a fazer sucesso com uma barbearia.

O novo negócio, a Barbearia Touché, foi a forma encontrada de Jovane ajudar a esposa a fazer aquilo que gostava. “Há cinco anos atrás, quando comprei minha casa, ela me disse que gostaria de trabalhar em algo que pudesse fazer em casa. Paguei cursos para ela e acabou dando certo. O bom é que ela atende a mim e ao meu filho”, brinca o atleta, pai de Jovane Júnior e padrasto de Amanda Pereira.

Com a esposa cuidando da barbearia, Jovane vem se dedicando totalmente aos treinos para repetir o bom resultado de Londres-2012, quando foi campeão paralímpico. E ele mantém uma rotina bem rígida, dividindo-se entre as duas cidades gaúchas.

“O local onde eu treino, no CETE (Centro Estadual de Treinamento Esportivo), está fechado. Fiz uma adaptação na minha sala, com fixadores, e o Marco Xavier, meu treinador, vem aqui para treinar comigo. Toda segunda, quarta e sexta, tenho preparação física, pela manhã. Depois, faço as aulas de esgrima e combate. Vou a Porto Alegre nos dois outros dias para fazer fisioterapia”, detalha o atleta.

A correria da semana geralmente é aliviada com outra corrida, desta vez mais prazerosa, até o sítio, em Portão: “Fiquei um mês e meio isolado no meu sítio, onde dei uma trégua no início da pandemia. Nasci em uma cidade muito pequena, chamada Barros Cassal, onde todas as pessoas produzem milho, fumo e feijão e trabalham com animais. Sempre que eu posso, dou uma chegada lá, de onde trago energias boas, energias positivas”.

Aos 37 anos, Jovane Guissone garante que está muito preparado para buscar o alto do pódio em Tóquio. E quer usar justamente esse fator, das várias competições que enfrentou na carreira, para sair vitorioso.

“Com certeza, a minha meta é brigar por medalha. Cada ano que passa, a experiência ganha mais força. Todo atleta mais experiente usa mais a técnica do que a força e joga no erro do adversário”, avisa, confiante.

 

 

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